quarta-feira, 13 de junho de 2012

Iniciativas incentivam empreendedorismo na conservação

Ivonaldo Alexandre/ Gazeta do Povo / As empre­ende­doras Terezinha Vareschi (esq.) e Bianca Reinert e Clóvis Borges, da SPVS As empre­ende­doras Terezinha Vareschi (esq.) e Bianca Reinert e Clóvis Borges, da SPVS Sustentabilidade

Ativista atrai investidor com gestão profissional

Plano de metas e resultados passa a fazer parte do vocabulário das organizações de proteção ao meio ambiente
Novo modelo
Iniciativas incentivam empreendedorismo na conservação
Diversas iniciativas no país têm usado o empreendedorismo para incentivar a conservação do meio-ambiente. A Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) se inspirou no modelo da Fundação Ashoka para implementar o seu programa Empreendedores da Conservação (E-Cons).
A fundação trabalha na seleção de projetos que tenham como objetivo resolver necessidades sociais e ambientais. Com um processo de seleção criterioso, a Ashoka forma um banco de empreendedores que podem ser selecionados por financiadores interessados.
No E-Cons, o funcionamento do programa é um pouco diferente. Um único financiador apoia seis iniciativas pré-selecionadas pela SPVS. Os valores repassados para os empreendedores variam de acordo com a necessidade de cada projeto. Em média, são bolsas de R$ 4,5 mil ao mês para os seis empreendimentos selecionados, por um período de três anos.
Autossuficiência
O diretor-executivo da organização, Clóvis Borges, compara a relação da E-Cons e dos empreendedores com a de um banco e um microempresário. “Da mesma forma que o dono de uma panificadora pega empréstimo no banco para ampliar sua produção, o empreendedor da conservação vai receber apoio do financiador para expandir seus resultados”, diz.
Após o término do programa, os projetos podem se tornar autossuficientes ou então o investidor pode prorrogar o apoio. “O projeto prevê que cada empreendedor tenha uma plano de sustentabilidade do seu negócio para que ande com suas próprias pernas”, explica Borges.
Os parceiros que trabalham com educação ambiental, por exemplo, terão três anos para desenvolver metodologias e captar de clientes para o futuro.
O modelo adotado pelas organizações é resultado da percepção de ambientalistas de que a conservação do meio ambiente só é possível se for relacionada à sua importância social e econômica. “É preciso aproximar o mercado ao meio ambiente e fazer deste um negócio lucrativo para quem investe”, afirma Maurício Costa, CEO da E2 Brasil Sócio Ambiental, que está em fase de implementação da BVRio, uma bolsa de valores de ativos ambientais. A bolsa vai comercializar créditos de carbono e reciclagem.
Um exemplo de aplicação da bolsa é a comercialização de créditos de reserva legal. A legislação exige que proprietários rurais conservem uma determinada porção da cobertura vegetal original da área. Segundo a BVRio, a lei permite que aquele que possui cobertura de floresta acima do exigido transforme o excesso em Créditos de Reserva Legal (CRLs), que poderão ser negociados com proprietários rurais que possuem áreas florestais abaixo do exigido por lei. (PB)

Para atrair investidores e garantir a sustentabilidade dos negócios, algumas organizações de proteção do meio ambiente estão profissionalizando sua gestão. Planos estratégicos de metas e balanços, expressões comuns no mundo corporativo, agora passaram a fazer parte do vocabulário dos ativistas.
A curitibana Sociedade de Pesquisa Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) viu no método uma forma de atrair um parceiro para seu novo programa, o Empreendedores da Conservação (E-Cons). O HSBC Seguros, financiador da iniciativa, investirá R$ 1 milhão nos próximos três anos em seis projetos-piloto reconhecidos como ações inovadoras na área de conservação da natureza.
Um deles é o de Terezinha Vareschi, que conserva uma área de mata nativa de 36 mil metros quadrados dentro do perímetro urbano de Curitiba. Para participar do E-Cons, ela precisou apresentar um plano de crescimento, com metas e resultados para os próximos 36 meses.
O empreendimento dela visa ampliar o número de Reservas Particulares do Patrimônio Natural Mu­nicipal (RPPNM) na cidade, hoje ainda bastante reduzido, mas com potencial de crescimento. Desde que se comprometam a conservar a mata nativa local, os proprietários recebem uma série de benefícios com essas áreas, que inclusive podem se tornar um negócio lucrativo. Isenção de impostos, comercialização do potencial construtivo do terreno e exploração do ecoturismo na região da mata são algumas das vantagens oferecidas para aqueles que optam por entrar no programa.
“É uma possibilidade de transformar a conservação em um negócio como qualquer outro. Já existem RPPNMs que são aproveitadas desta maneira, com atividades comerciais sem impacto ambiental”, explica Terezinha. Uma delas é a Reserva do Cascatinha, em Santa Felicidade, onde é mantido um parque de conservação particular em que são realizadas atividades de visitação e de ecoturismo.
De acordo com a Secre­taria Municipal de Meio Ambiente, 97% dos 77 milhões de metros quadrados de mata nativa que existem em Curitiba estão localizados em áreas particulares. De 700 áreas potenciais, apenas cinco já se transformaram em RPPNM e outras 28 estão em tramitação. “Há uma grande possibilidade de expansão e é uma atividade que vai se sustentar além dos três anos de projeto”, diz a empreendedora.
Para dar corpo ao projeto, ela criou a Associação dos Protetores de Áreas Verdes Relevantes em Curitiba e Região Metropolitana (Apave), que promove reuniões com proprietários de áreas com potencial de reserva para a troca de informações.
A Apave também já pressiona a administração municipal para que alguns critérios e leis sejam revistos, entre eles a possibilidade de que o potencial construtivo das RPPNM possa ser revendido a cada oito anos.

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